Todo mundo viu
Ninguém vai esquecer
Vai assombrar
Feito a velhice no espelho
Dia sim, dia mais ainda
Feito o espinho desimportante
Que pariu pisadas deformadas
Pela estrada maltrapilha
Quem bate, esquece
Quem apanha, lembra até
Do desenho da sola
Da voz de quem passava o boletim
Da roupa que usava quando deram a notícia
Do cheiro de dispensa vazia
Ninguém vai esquecer
Todo mundo viu
Aos despertencentes
Nenhum pouso apraz
Podem até, um dia, aprender a perder
Mas, nem que chova lírios
Aprenderão a dançar